ELEIÇÕES NO ESPÍRITO SANTO

Por Alice Silva

O mês de outubro teve início com a chegada da tão aguardada eleição de 2022. No domingo, dia 2 de outubro, toda a euforia foi compartilhada por brasileiros que vivem em várias partes do mundo. Foi o momento de acompanhar a apuração dos votos e aguardar o resultado, com as incertezas de quem seria o mais votado, e quais seriam os/as candidatos vencedores. 

No mesmo dia, a apuração iniciou-se às 17h do horário de Brasília, e se encerrou por volta das 22h do domingo. Na disputa principal, o atual presidente do país, Jair Bolsonaro (PL), alcançou um percentual muito maior que o esperado: de 43,2% dos votos.  Lula (PT), saiu na frente, alcançando 48,4%. Os demais concorrentes “competitivos” ficaram bem atrás. Simone Tebet (MDB) teve 4,2% dos votos totais. E Ciro Gomes (PDT) chegou a 3%.

Na corrida para o governo do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) e Carlos Manato (PL) foram para o segundo turno, com 46,94% e 38,48%, respectivamente. Para o senado, Magno Malta (PL) foi eleito com 41,95%. Ficaram de fora da única cadeira disputada pelos candidatos no estado Rose de Freitas (MDB), com 38,17%, e de Erick Musso (Republicanos), com 17,25%, e Gilberto Campos (PSOL), com 1,03%. Os demais candidatos não chegaram a 1% dos votos totais.

 

Espírito Santo

Renato Casagrande e Manato também irão disputar o segundo turno no Espírito Santo. Casagrande havia sido eleito pela primeira vez em 2010, em primeiro turno, com 82,3% dos votos válidos, com 1.502.070 votos, alcançando a maior votação para o governo do estado da história do Espírito Santo. Em 2014 perdeu a eleição, também em primeiro turno, para Paulo Hartung (PMDB), que se elegeu com 53% dos votos válidos. Em 2018 Casagrande foi eleito novamente, novamente em primeiro turno, com 55% dos votos válidos.

Antes de chegar ao Palácio Anchieta – a sede do governo capixaba –, foi senador, deputado federal, vice-governador e deputado estadual. Também já esteve à frente de cargos executivos como secretário de Estado de Agricultura, secretário municipal de Meio Ambiente da Serra e secretário municipal de Desenvolvimento Rural do município de Castelo.  No Senado, Casagrande foi líder do Partido Socialista Brasileiro (PSB), ao qual é filiado desde 1987. Atualmente, é secretário-geral da Executiva Nacional da sigla. Presidiu também a Fundação João Mangabeira entre os anos de 2015 e 2018.

Em 1º de janeiro de 2019, Casagrande assumiu um novo mandato à frente do governo do Estado. As principais bandeiras defendidas por Casagrande são o desenvolvimento sustentável, a política industrial, o desenvolvimento da economia criativa, a reforma do Estado, a educação pública e o investimento em ciência, tecnologia e inovação.  Neste ano de 2022, o governo Casagrande (PSB) apoia o ex-presidente Lula (PT) ao terceiro mandato presidencial.

Carlos Manato, por sua vez, tem 64 anos, e é natural do município de Alegre (ES). Manato é formado em Medicina e pós-graduado em Administração Hospitalar. Foi professor na Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória e ocupou o cargo de diretor em diversos hospitais do Espírito Santo (ES). Ingressou na política assumindo a Secretaria Municipal de Serviços da Prefeitura de Serra (ES) e foi eleito quatro vezes consecutivas para deputado federal. Porém nunca ocupou cargos eletivos nas eleições majoritárias. Desta vez, Manato tenta a eleição para o governo do Espírito Santo pelo PL. Na disputa presidencial apoia Bolsonaro (também do PL).

No segundo turno, além do peso do bolsonarismo no estado (que venceu o primeiro turno com 52,2% dos votos totais), Manato conta com o apoio de outros candidatos derrotados no primeiro turno, como Guerino (PSD), que obteve 7,03% dos votos totais e Audifax (REDE), com 6,51% dos votos totais, ambos que concorreram com Manato. Os demais candidatos não chegaram a 1% dos votos totais. Também apoiam Manato, Magno Malta, eleito senador pelo PL e Gilvan, eleito deputado federal pelo PL.

As estratégias de Casagrande para o segundo turno, consistem buscar apoio não só de quem simpatize com ele como governador, mas de todos que compartilhem da preocupação da “ameaça” que representa o crescimento do bolsonarismo e da política de “ódio” no Espírito Santo. A estratégia no primeiro turno era tentar liquidar a fatura no dia 2 de outubro. Porém, como a estratégia não deu resultado, o objetivo agora é apresentar Casagrande como um candidato moderado que busca a conciliação e a paz, em detrimento de uma política belicista de seu opositor.

Já do lado de Manato, as bandeiras principais estão ligadas à segurança pública e à saúde. Também pesa em seu favor, o fato de ser o candidato de Bolsonaro no estado e seu discurso anti-comunista, tentando, dentro do possível, atrelar seu adversário ao crescimento de um suposto “comunismo” no país. Manato, no debate que ocorreu ontem de noite, dia 27 de outubro, na TV Gazeta (afiliada da TV Globo no Espírito Santo), fez duras acusações, todas infundadas, de que Casagrande lidera uma organização criminosa ocupando a cadeira de governador, e de que apoia o aborto, pelo fato do atual governador ter executado uma decisão da justiça federal, quando garantiu segurança e anonimato, na interrupção da gestação de uma menina de 10, que foi estuprada no município de São Mateus, no início de 2020.

No próximo domingo, os eleitores do Espírito Santo vão às urnas dizendo qual estratégia terá surtido mais efeito.

 

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