A capital comercial da China, Xangai, com aproximadamente 25 milhões de habitantes, encontra-se em lockdown. Isto aconteceu depois do registro de novos casos de Covid-19. No dia primeiro de maio, segunda-feira, houve novos registros que preocuparam muito o governo, fazendo com que a população de Xangai se mantivesse longe das ruas, causando insatisfação na sociedade chinesa. Este fato pode ser caracterizado como o pior surto de Covid, desde o surgimento dos primeiros casos, ainda no início de 2020, em Wuhan.
Xangai é,
também, a cidade mais populosa e rica da China, já vive a escassez de alimentos, enquanto seu porto (o maior do mundo), mantém-se fechado,
acumulando containers cheios de alimentos que apodrecem por falta de refrigeração. Além
disso, faltam também remédios, entre outros recursos básicos. Estas medidas
geraram transtornos e revoltas por grande parte da população.
Um vídeo
feito no dia 14 de abril, divulgado nas redes sociais, até ser rapidamente
retirado do ar, mostra moradores de um complexo de edifícios protestando contra
a política de “Covid zero”, que consiste na implementação de restrições extremamente
rigorosas para conter os novos casos do vírus, incluindo o uso deste mesmo
prédio como centro de quarentena. Porém, os moradores se recusaram a deixar o local.
Os habitantes de Xangai não se
mostram dispostos a tolerar tais medidas governamentais por muito mais tempo,
já que este lockdown, por estar efetivamente impedindo as pessoas de comer,
torna-se uma aposta perigosa
para o governo central.
A China,
por outro lado, está preocupada em erradicar o vírus para que não se alastre
pelo restante do país e, consequentemente, pelo mundo. O governo compreende a
sua responsabilidade de evitar um possível surto na saúde pública por todo o mundo novamente.
Sabendo do potencial que o vírus tem de se alastrar por Xangai e a quantidade
de habitantes que vivem na cidade, a solução que o governo encontrou para
resistir e cortar o mal pela raiz, foi a tolerância zero, para conter o
contágio e o aumento do número de mortes.
E os impactos sobre a economia global?
A
economia será diretamente afetada pelas variações de preço no transporte de
navios. Muitas regiões do país estão, neste momento, bloqueadas no comércio
mundial e abrirão espaço para outros países comercializarem commodities em maior volume, não
apenas pela diminuição da oferta destes produtos que são produzidos na China,
mas, também, pela paralisação da demanda. No entanto, outras regiões da China
estão funcionando normalmente.
Entende-se que a queda do PIB (Produto Interno Bruto),
gera uma instabilidade econômica e social que pode corresponder, no mínimo a
US$ 46 bilhões em produção perdida por mês, ou 3,1% do PIB do país, segundo a
pesquisa da Universidade Chinesa de Hong Kong.
A economia da China, no comparativo com o mesmo período do ano passado, registrou no primeiro trimestre de 2022, uma taxa de crescimento que superou as expectativas, com um aumento de 4,8% de seu PIB. Todavia, por conta do lockdown inesperado, os próximos meses podem representar mais desafios. Inclusive, as análises feitas por especialistas não indicam mais que a meta estimada de crescimento econômico de 5,5% da China para 2022, de acordo com a CNN Brasil.
Estas seguidas paralisações afetam países que têm como principal setor de produção, o primário, ou seja, países que dependem bastante da extração e da exportação de matéria-prima (recursos cultivados ou extraídos da natureza e que são consumidos ou transformados em mercadorias). Atividades como a agricultura, a pecuária e o extrativismo vegetal, animal e mineral. Neste sentido, quando a China, país que representa um dos maiores importadores mundiais de commodities, está com lockdown em dezenas de cidades, e desacelera ou reduz a compra destas commodities, consequentemente, contribui para que os resultados na economia de países como o Brasil, tenham queda em seu PIB.
O Brasil, consequentemente encontrará dificuldade na produção de seus materiais manufaturados, que são importados da China e produzidos aqui, principalmente os produtos referentes à área tecnológica, como telas, teclados, chips, entre outros, provocando assim, um possível fechamento temporário de indústrias por falta de insumos.
Muitas
cadeias produtivas estão sendo afetadas. Entre elas, a Apple, que se pronunciou
sobre o impacto significativo que sofrerá em sua produção do iPhone, caindo cerca de 20% a 30%. A
Tesla, companhia que produz carros elétricos, informou que paralisou a produção
de carros em Xangai, desde o início de abril, enfrentando uma diminuição de 30%
em sua produtividade, de
acordo com o Jornal do Comércio (JC). As restrições no porto de Xangai afetam,
em especial, as estradas de entrada e saída do porto, onde há um acúmulo de containers.
Do ponto
de vista econômico, se a China paralisa as suas atividades, o mundo todo sente algum
impacto e o Brasil, por ser exportador de commodities, deve ser
diretamente afetado, considerando que a China é o principal parceiro comercial
do país.
O resultado no cenário atual é o aumento da inflação global, enquanto a China tenta recuperar ou resistir à desaceleração econômica consequente das seguidas paralisações nas cidades do país.



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