A taxa de natalidade no Brasil vem decaindo nos últimos anos, seja por
conta do planejamento familiar, dificuldade financeira, urbanização (e das
dificuldades que viver em grandes cidades impõem na decisão de ter ou não
filhos). Porém, a taxa de natalidade caiu ainda mais entre 2020 e 2021, período
do ápice da COVID-19.
Com as possíveis complicações na gravidez que o COVID-19 poderia trazer,
as famílias optaram por atrasar seus planos. A redução do número de nascimentos
praticamente dobrou no país. Em função das mortes causadas pela pandemia, a
taxa de mortalidade se elevou, talvez por esse motivo a taxa de natalidade
também tenha caído.
Em 2019, foram adotados 10.120 crianças e adolescentes, enquanto a fila
para novas adoções era de 9.887 pretendentes. Na época, encontravam-se em
processo de adoção 2.543 crianças e adolescentes. Já em 2020 o Brasil possuía
30.967 crianças acolhidas em unidades de abrigo/adoção, porém, apenas 5.154
estavam aptas ao processo de adoção, segundo dados do SNA, Sistema Nacional de
Adoções.
Segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil, em março de
2021, 240 mil pessoas foram registradas em cartórios pelo país, já em março
deste ano, 2022, apenas 233 mil pessoas foram registradas. Uma queda que beira
os 5%.
Em contrapartida, em 2021 houve um aumento nas adoções. Ambas informações
podem, ou não, ter uma ligação. Seja por casos em que o processo já estava em
decorrência e só foram finalizados na pandemia, seja por tentativas de suprir o
vazio que a pandemia trouxe a todos.
Nos dez primeiros meses de 2021, 1.656 crianças/adolescentes passaram
pelo processo de adoção. Em 2020, apenas 1.479 passaram por esse processo no
país.
Entretanto, o aumento não quer dizer que, de certa forma, tenha ficado
fácil adotar no Brasil. Por mais que o ECA (Estatuto da Criança e do
Adolescente) tente assegurar de que o processo de adoção seja rápido e céleres,
isso não acontece, já que existe uma série de burocracias que podem atrasar o
processo ou até mesmo fazer pessoas desistirem de adotar crianças, sem falar
nos preconceitos, por raça, estado de saúde e idade das crianças a serem
adotadas.
Por mais que tenha ocorrido um aumento considerável na adoção, houve
também um aumento na taxa de entrega de crianças para adoção. Só em 2021 mais
de 27 mil crianças estavam em espera para acolhimento e adoção.
Um dos maiores obstáculos para o processo de adoção é a seletividade das pessoas que se colocam na fila para adotar, quando as crianças ou adolescentes não se encaixam nos padrões definidos pelo(s) cidadão(s) que vai(ão) adotar, a fila anda e as crianças/adolescentes continuam à espera de um lar, de uma família.
Um dado importante que deve ser levado em conta é a situação de crianças
e adolescentes em acolhimento, processo de adoção e disponíveis para adoção. Em
maio de 2020, 33.969 crianças e adolescentes estavam em acolhimento, 5.040
estavam disponíveis para adoção e 2.701 estavam em processo de adoção. Falando
nos pretendentes; 36.437 estavam à espera de adotar.


A taxa de natalidade deve continuar caindo nos próximos anos. Isso já é uma realidade em muitos países mais desenvolvidos. Já em relação ao número de adoções é complicado desburocratizar o processo, que precisa ser criterioso e muito transparente. Parabéns pela abordagem dos temas.
ResponderExcluir