ELEIÇÕES NACIONAIS

por Emanuel e prof. Pedro Rozales

A polarização política no Brasil é constantemente alimentada pelos candidatos à presidência nesta corrida eleitoral. E para ter uma visão mais clara disso, basta ver os discursos dos dois lados nos debates na televisão. Se em eleições passadas, estes debates eram aguardados, pois parte do eleitorado podia conhecer melhor os candidatos e suas propostas, agora, viraram shows business, programas de entretenimento, onde as campanhas centram suas energias em tentar produzir cenas em que um candidato “lacra” o outro. Estes cortes serão organizados e editados pelas campanhas, e depois distribuídos largamente nas redes sociais e em grupos de WhatsApp.

Depois do fim do primeiro turno, o PL, partido do atual presidente Jair Bolsonaro, elegeu 99 deputados, ficando com o maior número de candidatos eleitos em toda sua história. Já a federação Fé Brasil da Esperança (PT, PC do B e PV), do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, elegeu 79 deputados. Ao menos na Câmara, a maior bancada ficou com os partidos dos dois candidatos que chegaram ao segundo turno. O que é mais uma evidencia da polarização que se desenhava desde o início da campanha, antes ainda do primeiro turno.            Já no senado as coisas não ficaram tão bem desenhadas. O PT conseguiu eleger mais 4 cadeiras (dois deles já eram senadores), somando agora 6 senadores. Já o PL tornou-se o partido com o maior número de senadores. Em 2014 tinha apenas um senador. Agora elegeu mais 8. Somando o número de senadores que eram da antiga sigla que deu origem ao PL, o PR, o partido do presidente somará, a partir de 2023, 13 cadeiras no total. O União Brasil (UB), que compõem a base de apoio a Bolsonaro em nível federal, tinha 8 senadores, agora terá 12.

Podemos dizer, que a nível das câmaras nacionais, o PL e a base de apoio de Bolsonaro saiu-se vitoriosa, elegendo mais deputados e senadores que seu adversário do PT. Isso, contudo, não indica que, em uma possível vitória de Lula, estes parlamentares eleitos não irão se reorganizar em novas legendas, para demonstrar apoio ao futuro mandatário. O presidencialismo de coalizão, existente no país, é marcado pelas inúmeras trocas de parlamentares eleitos de seus partidos de origem, tão logo assumem os eleitos aos cargos majoritários. Isso significa que os parlamentares buscam aliar-se de acordo com as conveniências. Mas também, em decorrência da pressão que exerce o governo que elege-se que passa a fazer uso da máquina do Estado, permitindo fazer indicações a empresas estatais e agências governamentais.

Isso, porém, não reduz o tamanho da vitória, ao menos no legislativo, do bolsonarismo. Inúmeros ex-ministros de Bolsonaro foram eleitos. Depois de forte pressão social e da imprensa ao longo dos quatro anos da gestão Bolsonaro, estes candidatos foram eleitos, em que pese a crise econômica e a pandemia, pela qual atravessamos no país. Seja qual for o resultado das urnas, no próximo domingo, dia 30 de outubro, uma coisa é certa. O bolsonarismo não é mais uma aposta. É um fenômeno eleitoral que solapou a centro direita ou a direita liberal. Estamos assistindo a emergência de dois grandes campos políticos, em termos eleitorais, no Brasil a partir de 2022. De um lado o bolsonarismo aglutinando apoiadores mais radicais da extrema direita, até setores mais moderados que votaram (no primeiro turno) e tenderão a vota (no segundo turno), pela forte rejeição ao candidato do PT.

De outro lado, existe o lulismo, que já quase duas décadas tornou-se maior que seu partido e de seus aliados. Apresentando-se com posições moderadas de esquerda e centro esquerda, o lulismo conseguiu articular, durante os anos em que o PT ocupou a presidência, setores do antigo sindicalismo que emergiu no Brasil nos anos 1980, até setores do mercado financeiro. Realizou uma política econômica que alguns autores caracterizam como “social-liberal”. Mas, a partir de agora (e desde 2018, mas sem seu principal líder, que estava preso em uma contestável condenação), o lulismo encontrou um novo ingrediente: a rejeição a Bolsonaro e ao que ficou conhecido como política do “ódio”.

Gostando ou não de um dos dois principais candidatos neste segundo, o que estará em jogo, neste domingo, não é a preferência por um candidato, mas sim, a rejeição ao outro.

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