O cinema nacional, por muito tempo não teve o devido reconhecimento de grande parte de seu público preferencial: a população brasileira. Porém, nas últimas duas décadas, este cenário vem mudando. Inúmeros filmes tornaram-se campeões de audiência, seja na televisão aberta ou nas salas de cinema. Isso reflete um pouco a qualidade das produções, não apenas as que recebem um aporte maior de recursos. Entre estes últimos, destacam-se os filmes "família" como a trilogia “Minha Mãe é uma Peça”, ou os filmes da “Turma da Mônica” e filmes mais “cabeça”, como “7 Prisioneiros” e “Medida Provisória”. Mas, como é a percepção do cinema nacional pelo mundo?
Mas fora do Brasil, como tem sido este reconhecimento? Filmes nacionais
têm tido um reconhecimento considerável em festivais internacionais mais
independentes, e tem registrado um aumento nas indicações em grandes festivais,
inclusive com a vitória de “Bacurau”, em 2019, com o prêmio do júri no Festival
de Cannes.
Levando em consideração apenas o festival de Cannes, o número de vitórias do Brasil é mediano quando comparado ao número de indicações. Foram 41 indicações desde 1949, e 6 vitórias.
Recentemente, em 2021, o longa “Bob Cuspe – Nós não Gostamos de Gente”
venceu no festival de Annecy o prêmio de melhor filme na Mostra de Contrechamp.
Para discutir melhor as dificuldades, a participação e as chances do
Brasil nos próximos festivais, conversamos com Rafael Carvalho, do portal
Oxente Pipoca.
MSL NEWS: Na próxima temporada,
quais filmes Brasileiros têm chances de representar bem o país lá fora?
Rafael Carvalho: “Marte Um”, “O Território”, “Medusa ou Mato Seco
em Chamas”, mas creio que a popularidade de Marte Um tá crescendo muito e tem
muita coisa em seu favor, só falta uma boa distribuição nos EUA mesmo.
MSL NEWS: Como tem sido a participação do Brasil nos Festivais Internacionais?
Rafael Carvalho: Razoável, mas muito aquém do que poderia ser. A
falta de investimento estatal por parte do Governo Federal dificulta até que
alguns filmes em potencial consigam pagar as taxas necessárias para a inscrição
nos festivais. Mas em 2022 tivemos ótimos representantes: “Mato Seco em Chamas”
e “Três Tigres Tristes” no Festival de Berlim e de Nova York, “Carvão” em
Toronto e San Sebastian, “O Clube dos Anjos” em Close: “Up Reykjavik” e, creio
que o principal feito do cinema nacional este ano foi a vitória do Leopardo de
Ouro de “Regra 34” no Festival de Locarno, a primeira honraria do nosso país no
evento em décadas.
MSL NEWS: Quais os maiores
obstáculos que o cinema Brasileiro tem para crescer internacionalmente?
Rafael Carvalho: Investimento do nosso próprio país através de
fomentos públicos, garantindo uma certa grana pra divulgação e despesas comuns.
O cinema brasileiro no exterior é visto com muitos bons olhos. O grande José
Mojica Marins, criador do personagem Josefel Zanatas - o Zé do Caixão, nosso
pai do terror, é visto como um dos maiores do gênero internacionalmente,
enquanto aqui é visto como um alívio cômico e recebe muito pouco
reconhecimento. Ou seja, o maior obstáculo é o próprio brasileiro. Se
tivéssemos um maior apoio as portas internacionais seriam muito mais leves e
fáceis de abrir.



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