NOVA ESCOLA


por Emanuel e prof. Pedro

Era só mais uma sexta-feira que marcava o início do mês de julho, mas também que se despedia da primeira metade do ano 2022 que agora entrava em uma nova fase. 1º de julho paradoxal. Ao mesmo tempo que dava as boas-vindas, dava um adeus. E como nos dias anteriores, o frio daquela manhã contrapunha-se ao sol. Mas, o frio deixava claro que, no inverso, quem falava mais alto era ele. Contudo, para parte das comunidades de Feu Rosa e Vila Nova de Colares, aquela manhã com aquele frio, não era só mais uma manhã de inverno. Além do frio, do vento gelado, e do sol batendo inclinado (longe dos seus noventa graus do verão), havia uma movimentação especial...

Na praça de Feu Rosa, algumas viaturas da Polícia Militar começavam a organizar o trânsito, desde as primeiras horas da manhã. Era como se algum grande time de futebol, da primeira divisão, fosse disputar uma partida decisiva ali. A escola Marinete de Souza Lira que, há tantos anos, observava o movimento na praça à sua frente, nesta manhã do início de julho, era a protagonista.

Tudo levava a crer que era mais um dia comum, não fosse pelos sinais de trânsito e pelas viaturas que se aglomeravam no entorno da praça... Mais pessoas chegando. E, por volta das 10h e 30min, os portões da escola finalmente foram abertos a toda a comunidade. No fundo daquela antiga escola (que agora ganhava uma nova estrutura), uma enorme tenda. Alunos, pais, professores, trabalhadores de vários cantos do bairro e da cidade, começaram a ocupar as cadeiras. Eram muitos: 800, 900, talvez mil.

Diferente das outras manhãs, a diretora Grazy, tomou o microfone e deu início à cerimônia. “É um momento de festa, é um momento lindo, é um momento que nós aguardávamos há 10 anos”. Dez anos depois que as primeiras plantas de arquitetura chegaram ao conhecimento da direção, a nova estrutura da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Marinete de Souza Lira era, agora, oficialmente inaugurada.

Não era pouca coisa. Foram dez anos, quase dois mil alunos matriculados por ano, e uma estrutura que, com muito boa vontade, “deu conta enquanto durou”. Aguentou as aulas em três turnos, os projetos desenvolvidos pelos professores, os cursos técnicos no noturno. Nas aulas de educação física, o ginásio de esportes do bairro era constantemente emprestado. Em inúmeras situações, inclusive, os profissionais da escola tiveram de pedir ajuda às escolas da região, ou a outros aparelhos públicos da comunidade, como o auditório do posto de saúde, situado ao lado da escola.

Agora, a nova estrutura da escola, conta com duas quadras poliesportivas, um ginásio de esportes coberto, 16 salas de aula (todas equipadas com ar condicionado e data show), laboratório de química e biologia, outro de matemática e física, sala ambiente de artes e outra de inglês, sala de recursos para alunos da educação especial, sala de música, duas salas para coordenação, sala de professores e outra para as pedagogas, cozinha para os professores, refeitório amplo, 3 banheiros masculinos e 3 banheiros femininos (dos quais 5 são acessíveis), pista de corrida e uma ampla área de convivência... ufa! Todos os ambientes completamente integrados a uma rede de wi-fi (que por enquanto está aberta apenas aos professores, mas em breve estará disponível a todos os estudantes).

Mas por que tudo isso em Feu Rosa?

Há mais de dez anos, as comunidades de Feu Rosa e Vila Nova de Colares contam com três escolas estaduais que ofertam Ensino Médio em três turnos a adolescentes, jovens e adultos. Porém, essas escolas garantiam o direito à educação em estruturas, ou bastante limitadas ou muito insuficientes, não dando conta de atender à enorme demanda por vagas dos dois bairros. Algumas reformas foram feitas ao longo dos anos. Mas, sempre de maneira pontual. No governo anterior (2015 a 2018), dirigido pelo ex-governador, Paulo Hartung (à época no PMDB), foi criado o Programa “Escola Viva”, (visto pelo governo estadual como a “menina dos olhos” para a área da educação), mas o Programa sofreu críticas e encontrou dificuldades em se expandir. Durante a gestão Hartung o número de escolas que aderiram ao Programa não chegou a quarenta. Uma das críticas que foram feitas naquele momento, era a de que o programa, ao invés de ampliar a oferta de vagas, acabou as reduzindo.

A nova gestão dirigida por Renato Casagrande (PSB) transformou o “Escola Viva” em “Escola de Tempo Integral” e ampliou o volume de recursos direcionados às reformas das escolas estaduais. No final de maio deste ano, o governador havia anunciado que, ao longo dos quatro de sua gestão (2019 a 2022), seriam direcionados R$ 588 milhões para a ampliação, reforma e para a aquisição de equipamentos, tanto em escolas estaduais, quanto fazendo repasses de parte deste orçamento para os municípios realizarem melhorias nas escolas municipais (que ainda concentram a maior parte das vagas da educação do Ensino Fundamental).

A reforma da EEEFM Marinete de Souza Lira custou R$ 9 milhões de reais e foi concluída em menos de três anos. A nova estrutura, além de comportar uma oferta maior de vagas (atualmente são 1.418 alunos/as matriculados), garantirá a possibilidade de melhoria do serviço de educação. A unidade, contudo, ainda não conta com ensino em tempo integral.

No evento, o governador destacou que um dos objetivos para direcionar este recurso para a reforma da escola era reverter as enormes desigualdades sociais, ainda presentes em nosso estado. “É o papel da administração pública num mundo desigual como o nosso, [...] estar presente ofertando apoio às pessoas que não nasceram num berço de ouro, nós temos que estar aqui juntos para dar a vocês as mesmas condições de quem teve condições, desde quando nasceu”, disse o governador no dia da inauguração.

Ao final do evento, os estudantes da escola ainda ensaiaram um coro (“é big house”) que, apesar da empolgação, não dava conta de expressar o paradoxo daquela manhã do começo de julho. A nova estrutura da escola era como uma espécie de calor quebrando o frio gelado deste inverno em Feu Rosa. Mais um elemento do paradoxo daquela manhã que se expressava na despedida que dava boas-vindas.




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