Por Laira e Emanuel
A pandemia nos levou para uma realidade completamente diferente do
habitual. Com os lockdowns, as empresas dos setores alimentício, farmacêutico,
tecnologia e energia lucraram muito e isso trouxe um grande aumento na riqueza
dos bilionários e possibilitou a aparição de mais 573 bilionários no mundo em relação ao início
de 2020 (período imediatamente anterior
ao início da pandemia). Atualmente existem 2.668 bilionários em todo o planeta.
Estes bilionários somam, no total, 12,7
trilhões US$ (dólares), um aumento em seu patrimônio de US$ 3,78 trilhões (42%) durante
a pandemia do COVID-19. Isso equivale a 12,9% do PIB (Produto Interno Bruto) global – em
2000 era equivalente a 4,4%.
Para se ter noção, o homem mais rico do mundo, Elon Musk, pode perder 99%
de toda sua fortuna e ainda vai estar entre os
0,0001% das pessoas mais
ricas do mundo. Desde o início de 2019, o patrimônio de Musk cresceu 699%.
Enquanto isso, os 10 homens mais ricos (isso
mesmo, as dez pessoas mais ricas do mundo) têm uma riqueza proporcional à parcela dos 40%
mais pobres de todo o planeta! Ampliando o universo
para os 20 bilionários mais ricos, também
vemos um outro dado gritante, eles possuem juntos mais
do que todo o PIB da África Subsaariana, região do continente africano composta por 47 países e que
se localiza geograficamente abaixo do deserto do Saara.
Milhões de pessoas
enfrentam uma crise de custo de vida devido aos efeitos da pandemia e ao
aumento do preço de coisas vitais como energia e alimentação. A desigualdade já
era enorme antes da COVID-19, e agora atingiu novos patamares.
Na América Latina foi registrado no ano de 2020 um aumento de 22 milhões de pessoas a
mais no nível da pobreza. No total são 209 milhões de pessoas que vivem na pobreza em
nosso continente. 78 milhões estavam em situação extrema de pobreza, 8
milhões a mais do que em 2019, antes da pandemia.
A ONU (Organização das
Nações Unidas) caracteriza como pobreza famílias que possuem renda per capita
de até R$200 (reais), e em situação de extrema
pobreza as famílias que têm a renda per capita de até R$100. Em ambas as
condições estas pessoas são privadas na satisfação de suas necessidades básicas
como saúde, acesso à água tratada, comida, informação e abrigo, fazendo com que
elas dependem exclusivamente de serviços públicos.
Mas o que podemos considerar como riqueza? A riqueza é composta pela
soma da renda e do patrimônio. O patrimônio são os bens materiais adquiridos
por um tal indivíduo ao longo de sua vida (ou transferido a ele como
herança). Já a renda é o dinheiro que o indivíduo adquire todo dia/mês/semestre
ou ano. A renda do trabalhador é o salário. Já a renda das elites é composta
pelo lucro das empresas, pelos juros e pela renda obtida pelos aluguéis (seja
de imóveis residenciais, comerciais, ou da propriedade da terra).
Os três maiores
bilionários do Brasil são Jorge Paulo Lemann, que possui um patrimônio de 16,7
milhões de dólares; Eduardo Saverin, que possui 12,9 bilhões de dólares; e
Marcel Herrmann Telles que possui 11 bilhões de dólares.
Para se ter noção, em
2021, os 21 milhões brasileiros mais pobres somavam apenas 2,56 bilhões de
reais, enquanto os 10% mais ricos, somavam 118,4 bilhões. Isso equivale a 41,6%
da riqueza nacional nas mãos dos cerca dos 10% mais
ricos, enquanto outros 21 milhões, os mais pobres, tinham como patrimônio apenas
0,9%.
O salário, por exemplo, teve uma queda de 9% na pandemia, enquanto as elites aumentaram suas fontes de lucro ainda mais. O cenário que se avizinha não é dos mais animadores. Essa situação pode nos conduzir a um aumento ainda maior dos lucros empresariais, da diminuição do salário e aumento das pessoas no nível da pobreza. Enquanto, no pólo oposto, os bilionários vão ampliando seu patrimônio em uma velocidade que a humanidade nunca tinha visto.



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