AS ORIGENS E O SIGNIFICADO DAS BATALHAS DE MC’S

Por Joyce e Luccas

As batalhas de rimas integram-se à cultura do hip hop com o intuito de desenvolver a criatividade e o raciocínio. Inclusive, as batalhas promovem a conquista de espaços para os rappers na manifestação de suas próprias convicções.

As batalhas são encontros entre MC’s (Mestres de Cerimônias) que, com o apoio de um DJ tocando o beat (uma espécie de batida que transmite ritmo às palavras), produzem rimas de forma improvisada. Os MC’s duelam entre si, enquanto tentam conquistar o público e os jurados. Ao final da competição, o vencedor pode ganhar um prêmio, a depender da organização da batalha, além do reconhecimento de suas habilidades pelos espectadores do evento.

A origem do rap ainda continua sendo muito questionada e discutida. Há diversas versões sobre seu surgimento, no entanto, a mais conhecida conta que o movimento teve início na Jamaica, nos anos de 1960, e se espalhou pelas regiões mais pobres de Nova York a partir da década seguinte, nos anos de 1970, por meio dos negros e latinos que viviam nos bairros do Bronx e do Brooklin.

Existem dois tipos de batalha de rap: a de sangue e a do conhecimento. O principal objetivo nas batalhas de conhecimento é criar rimas sobre temas predefinidos pelos organizadores ou selecionados pela plateia no momento do evento. Por outro lado, a batalha de sangue não requer tema, o conteúdo é livre e a intenção é atacar e contra-atacar verbalmente o oponente mediante o gênero da música, chamado freestyle.

Nas batalhas de rima, os MC's utilizam a técnica do "Flow", que é o ritmo criado durante os versos. Dependendo do flow utilizado, não é necessário que as palavras rimem umas com as outras, sendo semelhante ao canto. Cada pessoa tem a sua maneira e flow único no rap.

Os locais escolhidos para sediar as batalhas são: praças de bairros, palcos de shows, auditórios de escolas ou mesmo ambientes online. Contudo, a presença do público é muito valorizada durante a batalha, considerando que cada rapper deve convencer o público de que ele é o melhor entre todos os outros.

Não há menção sobre um evento com data fixa na comunidade de Feu Rosa e Vila Nova. Entretanto, é importante ressaltar que festividades como essas são previamente anunciadas na internet. Ainda que as batalhas de rima dotem de pouca ou nenhuma visibilidade na TV e no rádio. Já a internet possui atribuição fundamental na divulgação desses eventos.

O cenário do rap do Espírito Santo tem ganhado influência através de três relevantes nomes: Dudu MC (Eduardo Lima), rapper da cidade de Vitória; Noventa, também da cidade de Vitória; e César MC, o campeão do Duelo de MC’s Nacional do ano de 2017, um dos rappers que conquistou o título de mais acessos em músicas feitas no Espírito Santo, ênfase para Canção Infantil, que superou a marca de 30 milhões de visualizações por todo o país. Outras referências de rappers capixabas são PTK, Morenna e Budah.

Atualmente, os grandes nomes do rap nacional são rappers como Emicida, Djonga, Matuê, Criolo, Flora Matos, Drik Barbosa, Felipe Ret e Xamã.

O rap é parte integrante da cultura hip hop, ao lado de outros movimentos artísticos: o break dance (dança de rua) e o grafite. Todos lutam por  espaço e reconhecimento no mundo artístico, expressando suas vivências e opiniões de mundo. Em particular, as vivências e experiências que jovens das periferias do Brasil e de inúmeros países do Terceiro Mundo enfrentam, em sociedades marcadas por profundas desigualdades sociais e por inúmeros tipos de violência.

Entre os desafios enfrentados para o reconhecimento da cultura hip hop, estão os obstáculos devido à falta de incentivos e investimentos tanto do poder público como do setor privado, que impede de expor a arte para enviar mensagem a quem precisa. Além disso, muitas pessoas ainda marginalizam e se opõem ao propósito do movimento cultural. As batalhas não são apenas um embate de rimas, mas também de conceitos e vivências.

Neste sentido, para desmistificar a marginalização das batalhas, que representam um meio capaz de expressar ideias, sentimentos e estimular a consciência dos jovens, é essencial que a mídia descontrua essa imagem marginalizada que ela própria fomentou com o tempo, principalmente devido à falta de oportunidades para alcance das batalhas na TV. E, assim, que ao mesmo tempo o aumento na criação e uso de diversos canais de comunicação, como, por exemplo: Spotify, YouTube e outras plataformas digitais, possam conceder ao movimento e aos rappers, visibilidade e reconhecimento, para gritarem por aqueles que são cada vez mais silenciados.

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