Por Joyce e Luccas
A invasão russa ao território da Ucrânia, iniciada na
madrugada de 24 de fevereiro, retrata um cenário caótico de guerra, que já
causou muitas mortes, destruição e sentimentos de medo e impotência entre o
povo ucraniano. Este ataque já pode ser caracterizado como o maior ataque
militar de um país contra outro, desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Na presidência da Rússia desde 2000 (mas tendo exercido o
cargo de Primeiro Ministro em duas oportunidades, entre 1999 e 2000, e entre
2008 e 2012), Vladimir Putin ordenou um ataque militar no final de fevereiro no
leste da Ucrânia — local onde situam-se as duas regiões separatistas (Luhansk e
Donetsk) reconhecidas pelo governo Russo, como independentes. São regiões onde
a maioria da população fala a língua russa e, de maneira geral, mantém uma
cultura muito próxima da cultura russa.
A Rússia e a Ucrânia vivem os efeitos de uma antiga e
conhecida história de conflitos, o que torna as raízes da guerra muito
profundas. Em 2014, ocorreu a primeira investida militar russa sobre o
território ucraniano, na batalha da Crimeia, península que foi anexada pela Rússia
na época. Agora, o conflito ganha outra proporção e magnitude.
Deste modo, um dos principais objetivos que impulsionou
as tensões entre ambos os países, foi a progressiva aproximação da Ucrânia e
sua possibilidade de ingressar na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico
Norte), que é uma aliança militar de muitos países da antiga Europa Ocidental
(não alinhada à antiga URSS), mas que é dirigida, na prática pelos EUA.
Do ponto de vista do governo ucraniano, a vantagem em se
associar à OTAN reside no princípio de “defesa coletiva”, do artigo 5º do
Tratado do Atlântico Norte, que estabelece que “um ataque armado contra um ou
mais dos países-membros será considerado um ataque contra todos”, e, consequentemente,
envolve ajuda militar conjunta. Enquanto que do ponto de vista russo, a
desvantagem consiste numa possibilidade de aproximação da OTAN ao leste europeu,
o que vem ameaçando a histórica hegemonia geopolítica do gigante asiático na
região, que é exercida desde o início da Guerra Fria.
A OTAN é uma organização que foi fundada por 12 países,
no prelúdio da Guerra Fria, no dia 4 de abril de 1949, em Washington, e que dispõe
da garantia de proteção, por meio de ações políticas e militares, incluindo uma
aliança entre os países integrantes do grupo.
Neste sentido, o acordo feito entres os países membros da
OTAN, reúne razões que vão contra a expansão da organização ao leste da Europa,
ou seja, não envolveria os países que fizeram parte da URSS (União Soviética) e
que, por isto, não possuiriam direito ao ingresso nesta Aliança (OTAN).
Outra razão que o governo russo justifica como causa da
invasão russa, é a influência da área que um dia pertenceu à antiga União Soviética.
Há ainda
a questão geopolítica que envolve a Crimeia, que garante uma importante
posição geográfica em relação à ambos países, principalmente em relação à
Rússia, que disputa o domínio sobre o mar Negro.
O contingente militar da Rússia, de acordo com a Global Firepower,
publicado pela BBC News, corresponde a 2,9 milhões de soldados, sendo que 900 mil deste contingente são de combatentes ativos, equivalente
a quase cinco vezes o número do exército ucraniano, que possui 200 mil
combatentes ativos, mas que somados aos reservistas totalizam 1,1 milhão de
soldados. Por outro lado, para ter uma dimensão do tamanho dos exércitos, os
Estados Unidos contam com 1,3 milhão de soldados.
Além
disso, como resposta à invasão russa ao território da Ucrânia, pela primeira
vez a Força de Resposta da OTAN foram ativadas, servindo apenas como uma medida
defensiva, ou seja, indicando que soldados dos Estados Unidos e de países
europeus estão sendo enviados para o leste da Europa, a fim de fortalecer os
países membros da OTAN, que estão recebendo os ucranianos refugiados. A Força
de Resposta possui capacidade de enviar até 40 mil soldados, incluindo o
despacho de armas para a Ucrânia.
As estimativas realizadas recentemente pela ONU
(Organização das Nações Unidas), publicadas em 5 de abril, relatam que 1.480 civis
ucranianos foram mortos e exatamente 2.195 ficaram feridos, desde o início da
invasão russa ao território, enquanto 10 milhões de ucranianos conseguiram alcançar
e ultrapassar as fronteiras da Ucrânia, refugiando-se em países vizinhos como a
Polônia, Eslováquia, Romênia, Hungria e Moldávia. Entre as tropas ucranianas, uma
investigação feita pelo próprio governo local em 2 de abril, registra 6.700 mortes.
Por outro lado, existe um desencontro quanto às
informações do número de mortos. Enquanto a OTAN calcula que cerca de 7 mil a 15
mil militares russos morreram durante a guerra, a Rússia assume as mortes apenas
de 1.350 combatentes das forças armadas. Além disso, estas não são as únicas
mortes que a Rússia está tentando encobrir.
No dia 4 abril, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky,
acusou a Rússia de ataques diretos contra civis em Bucha, cidade ucraniana
situada ao norte da capital de Kiev, o que os líderes políticos e autoridades
da Europa definem como crimes de guerra. Como resposta, o governo russo nega
quaisquer possíveis acusações de mortes ocorridas no território, alegando não
ter envolvimento com o massacre, ao mesmo tempo em que responsabiliza o governo
da Ucrânia de armar e disseminar uma notícia falsa, visto que a numerosa
quantidade de mortes coloca em risco a reputação da Rússia diante do povo e os demais
países.
Depois dos embargos econômicos sofridos pela Rússia, diversos
meios de transportes foram afetados: jatos e aviões russos estão proibidos de
sobrevoar, pousar ou decolar em países membros da OTAN. Inclusive, companhias como
Airbus e Boeing suspenderam os serviços de manutenção, peças e suporte técnico
para companhias aéreas russas.
Desde o início do conflito, produtores russos de petróleo
adiam vendas pela falta de compradores. Importadores na Europa e na Ásia têm
rejeitado navios russos transportando commodities do setor energético por
conta das sanções. A Shell encerrou todas as suas operações russas de gás
natural.
Os preços do petróleo dispararam com o aumento da interrupção
no fornecimento, limitando a distribuição e aumentando a busca pelo produto. As
sanções sofridas pela Rússia, segunda maior exportadora de petróleo, provocaram
o aumento do preço do barril que chegou a ser comercializado por volta de R$150
dólares, influenciando o mundo todo com as inflações altíssimas.
As sanções ocasionaram uma grande demanda das commodities
exportadas pela Rússia que se encontram barradas. Procurando fontes para suprir
esta necessidade ao ponto de não haver quem atenda.
A BBC News diz que "O que a Rússia está fazendo, na
verdade, é construir quase um sistema financeiro alternativo para que consiga
resistir a alguns dos choques de sanções que o Ocidente possa impor". O
mundo está despreparado para isso, mas a Rússia têm condições de se manter por
mais tempo.
A guerra acarretará baixas ao exército russo e,
consequentemente, vem causando diversas mortes, em especial na Ucrânia. O mundo
não aguentará as sanções por muito tempo, sendo que a Rússia exerce uma grande
influência em todos os países, pelo fato de ser uma importante produtora de gás
natural e petróleo.

muito bom e informátivo o texto,deixaram os pontos principais bastante explicados e interresantes, contendo cada parte chave.Lucas e joyce arrasaram!!
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