Por Isabela, Gabriel, Ana Cristine e Evelym
Não é novidade para ninguém
que a nossa escola tem recebido vários novos recursos. Sua estrutura mudou
radicalmente nos últimos anos, recebendo salas de aula, laboratórios e até
mesmo uma quadra, que ainda está em construção. Mas as mudanças não são apenas
em seu prédio: até mesmo a direção e a visão que a comunidade tinha da escola
mudou, como veremos a seguir. Fizemos uma conversa com três pessoas que vivenciaram
estas mudanças, sendo duas delas professoras da escola: a professora de
matemática, Sanan Zambelli, e a professora de artes, Naiara da Silva. Além
destas professoras, conversamos também com o ex-estudante, Felipe Soares. Nessas
conversas, eles falaram um pouco sobre suas experiências que tiveram no dia a
dia da escola, das transformações pelas quais passaram e dos diferentes olhares que mantém sobre a escola e a comunidade.
A professora Sanan Zambelli
nos recebeu na sala de artes, durante o intervalo entre as aulas. “Totalmente diferente. A estrutura era
totalmente diferente: a gente tinha
os anexos e o prédio principal. O prédio já era bem antigo, ele é da década de
90. A gestão também era completamente diferente antes da Grazi, que trouxe mais
coisas para a escola. Eu trabalho aqui desde 2004, e se eu estou aqui há tanto
tempo deve ter algum motivo. Quanto à "alunada", sempre gostei de
trabalhar, sempre fui bem recebida e acolhida pelos alunos. Eu peguei a gestão
da Vera. Ela era mais centrada nela, digo isso no olhar de professor; em
questão de aluno, ela valorizava e ouvia. E com a Grazi é sem comparação, nós
fomos de dez a cem. Eu não mudaria nada [...], tem coisa que nós ainda estamos
nos adaptando, a gente vai mudando conforme vem a necessidade. Tem coisa para
mudar? Tem, mas não vai ser imediato e nem está incomodando, a gente ainda está
em processo de mudança. Mas sim, está cem por cento melhor, duzentos mil.”
Essas mudanças também foram mencionadas
por Naiara, que além de atuar como professora de artes, foi aluna entre os anos
de 1992 e 2003. “Tem diferença no ensino,
porque a grade era bem diferente. Eu entrei no primeiro ano do fundamental. Só
saí em março de 2003, porque a gente estava pagando a carga horária de uma
greve que durou uns seis meses, de reivindicação de salário que os professores
fizeram [na época]. Quando eu entrei na primeira série, não
tinham livros didáticos, a gente tinha que comprar por ser consumível. A
estrutura também era bem diferente, mudou muita coisa, até porque o número de
alunos era menor. Nem computadores tinham na época. A gente não tinha muitos
métodos de ensino diferenciados, era mais copiar do quadro mesmo, decorar as
coisas e tal. Como a carga horária era menor, a gente tinha cinco aulas. Mesmo
assim, eu consegui passar na UFES com a base daqui, fiz um ano de cursinho, mas
no geral foi aqui. Eu nunca tive pretensão de ser professora, um ano depois de
fazer o vestibular em 2003 para engenharia ambiental, entrei no curso de artes
visuais por querer ser artista, eu não achei que seria professora. Hoje em dia
vocês tem mais informações, mas antes era muito precário. A matéria de artes,
por exemplo, eu nem sabia que existia a história da arte, era mais coisas simplezinhas.
Ninguém falava de faculdade. E só quando cheguei lá, descobri que queria ser
professora. Ainda assim eu não imaginei que daria aula aqui, além de sentir um
clima bom por aqui. Apesar de tudo, sempre foi um bom lugar para trabalhar.
Ainda que tivessem problemas, o ambiente escolar era muito bom.”
Felipe Soares estudou na
escola entre os anos 2005 a 2007 e vivenciou um pouco da atmosfera relatada
pela Naiara. “Eu entrei na escola quando
a gente estava saindo de uma greve. Por isso, quando cheguei lá, meus estudos
estavam bem pelas metades. A gente não teve o ensino fundamental direito. Eu
mudaria mais a questão de informação com os alunos, falando mais sobre
vestibular e faculdade, a gente não tinha tanto incentivo da escola sobre isso.
As redes sociais não eram o que é hoje, a gente ficava a mercê de quem tinha
mais informações, quem não tinha ficava sem as oportunidades, erro da escola,
mas também um erro nosso por não ir atrás. Eu morei aqui em Feu Rosa sempre,
desde que nasci. O bairro é, na minha percepção, mais ou menos como a escola,
principalmente na área da arte; mais oportunidade de cursos pela comunidade na
época. É uma grande oportunidade ter acesso a aulas assim, isso engrandece a
cultura. Alguns professores eram bem abertos sobre esses assuntos, eu até
tinha um professor de sociologia que conversava bastante com a gente,
principalmente sobre isso de por as idéias em prática. A gente tinha um ou
outro professor assim, o resto era mais passar matéria no quadro e “se vira
para ganhar nota”, servia só para passar de ano. Quanto aos meus amigos, eles
estavam doidos para terminar o ensino médio, mas não tinham nenhuma visão do
que fariam depois de terminar. Ninguém falava sobre faculdade. No grande
período que ficamos na escola, não ouvimos falar disso.”
Está muito claro o quanto a
escola mudou nas últimas décadas, não é? Mas a escola ainda está passando por
mudanças. “A gente vai se adaptar, a
gente ainda está em processo de mudança, a escola não está totalmente pronta,
ela ainda vai mudar.”
Bem, é nosso dever como aluno cuidar da escola para que nós possamos aproveitar todos os dias o que as novas ferramentas têm a oferecer. E usufruir destas transformações, agora no prédio, na estrutura física da escola, para articulá-las com as mudanças sociais pelas quais a escola já passava, desde há um bom tempo. Começando a conhecer um pouco do passado da escola, podemos ter uma dimensão mais ampla, dos problemas e das possibilidades que possivelmente poderemos encontrar no futuro.
* Esta é a primeira de uma série de reportagens que serão publicadas contando um pouco do passado da escola e do bairro.



Muito bom, pessoal. Parabéns
ResponderExcluirA escola Marinete de Souza Lira e os seus alunos estão de parabéns! Excelentes textos! Prof.⁰ Israel, Colatina.
ResponderExcluir...um registro histórico! Parabéns, galera!
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