Por quê um jornal realizado por estudantes de uma escola pública?


Pel@s editor@s

Por que criar um jornal escolar, em uma época em que os estudantes podem se comunicar através das redes sociais? Vivemos na era da internet e do dominío das redes sociais sobre as antiga e tradicionais ferramentas de comunicação de massa. A televisão, as rádios, e mais ainda, os jornais impressos, estão cedendo lugar ao Tik Tok, ao Youtube, ao Instagram, ao Facebook e ao Whatsapp. 

A ampliação das formas de comunicação, porém, bem como a redução da distância entre os emissores da mensagem e seus receptores, não é um fenômeno novo. Desde meados da década 1990, uma miríade de novas ferramentas surgiu na internet sob o nome de “redes sociais”. Através delas, pessoas nos mais distantes e, até recentemente, incomunicáveis, lugares do mundo, puderam acompanhar os acontecimentos sociais, econômicos, políticos, esportivos, etc., quase em tempo real. Ao mesmo tempo que as redes sociais revolucionavam a maneira como as sociedades contemporâneas passsaram a comunicar, elas produziram um fenômeno novo: permitiu que as pessoas expressassem suas opiniões e impressões sobre os acontecimentos, e sobre os fenômenos sociais de maneira indiscriminada.

Há 30 anos, quando a internet começava a se consolidar como um fenômeno global, chegou-se mesmo a cogitar que ela possibilitaria uma democratização da mídia, à medida em que os receptores das mensagens pudessem, também, produzir informações. Porém, a realidade caminhou em sentido contrário. Ao invés de possibilitar a democratização da imprensa e da mídia, a internet provocou a concentração dos meios de comunicação nos mesmos grupos empresariais que passaram a estender seu controle sob diferentes formas no ambiente virtual.

Atualmente, entretanto, um novo fenômeno se desenvolveu, com a mundialização das redes sociais: a proliferação de notícias falsas (as conhecidas Fake News). Como as redes sociais possibilitaram a quase completa liberdade para que usuários e “comunidades” postassem praticamente todo tipo de conteúdo, grupos organizados (em geral de orientações extremistas, seja de natureza política ou religiosa) passaram a utilizar do ambiente criado pelas redes sociais para difundir uma versão falsificada dos fatos, acontecimentos e fenômenos sociais. Quando questionados, estes grupos defenderam-se sob o lema da “liberdade de expressão” ou, com a narrativa de que não estavam preocupados com os fatos, mas apenas em expressar “suas particulares intepretações” dos fatos. 

Sob este disfarce (da "liberdade de expressão"), passaram a atacar inimigos políticos, artistas e expressões culturais (do carnaval às festas juninas), passaram a atacar a ciência e mesmo a recusar a vacinação em tempos de pandemia.

Isto, por outro lado, provocou uma situação nova: com tantas versões da realidade difundidas nas redes sociais, as informações com credibilidade (difundidas pelos meios de comunicação confiáveis), perderam-se no oceano de conteúdos produzidos diariamente na internet. Esta nova situação recebeu o nome de era da “pós-verdade”, em que predomina a confusão entre a realidade, a interpretação distorcida da realidade e, mais ainda, as informações falsas sobre a realidade (produzidas no intuito de atender aos interesses de grupos extremistas, seja em períodos eleitorais, ou para deslegitimar outros grupos religiosos).

É neste cenário que respondemos à pergunta deste editorial de abertura do nosso jornal. Primeiro, tentando demonstrar que as redes sociais e os meios de comunicação cumprem funções sociais distintas. As redes sociais são espaços de comunicação, enquanto a imprensa, é ferramenta de informação. Não é nas redes sociais onde devemos buscar informações sobre o mundo que nos cerca. Em segundo lugar, a experiência de produzir um jornal, dentro de uma escola, busca mobilizar os estudantes (que estiverem engajados neste projeto), auxiliando-os no desenvolvimento de várias capacidades, tais como na ampliação de uma visão crítica sobre a conjuntura política e econômica local, nacional e global; a capacidade na elaboração de textos em linguagem clara, mas dentro da normal formal de nossa língua; ampliar os espaços de comunicação entre a escola a comunidade na qual ela está inserida; e até pode contribuir na ampliação do horizonte cultural, político e estético dos jovens envolvidos nesta proposta.

Em um mundo, em que as coisas sólidas parecem se desfazer no ar, ter uma fonte confiável de informações e opinões, nos dá alguma certeza de que a linguagem e a comunicação são elementos fundamentais na construção de uma sociedade justa e democrática.

Bem vind@ car@s leitores, ao Jornal do Marinete!



Comentários

  1. A imprensa tem um papel fundamental na democracia. É através dela que a informação é democratizada e só com informação é possível lutar por um país mais igual. Parabéns, Pedro e alunos envolvidos.

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